"Em busca do caminho da felicidade" é uma pequena história, fictícia e ao mesmo tempo real, pois reflecte muitas das coisas pelas quais muitos de nós passaram ou passam. Esta história, da minha autoria, consiste na busca da felicidade por um jovem que se encontra, de momento, numa fase mais complicada da sua vida. Espero que com esta história algumas pessoas vejam alguns dos seus problemas reflectidos, e que os ajude a pensar e, quem sabe, a encontrar soluções para os mesmos. Espero que gostem!
Olho para a rua e vejo um jardim. Bancos de pedra, protegidos do sol pelas àrvores, com folhas de um verde vivo. Saio de casa e vou para o jardim e sento-me no banco. Começo então a rever na minha cabeça o que foi a minha vida até agora.
Lembro-me relativamente bem da minha infância. Feliz, no geral, embora com alguns pequenos obstáculos. Felizmente, tenho uma família que nunca me faltou em nada e que sempre me ajudou. Nunca me faltou amor nem carinho no meu lar, e isso é algo pelo qual eu dou graças. No geral, enquanto ainda criança com apenas um dígito na idade, fui bastante feliz. Conheci vários e grandes amigos nesta idade, e com os quais mantenho uma óptima relação actualmente. São pessoas com as quais eu sei que posso contar.
Os obstáculos nesta fase da minha vida começaram a partir dos 11, 12 anos. Lembro-me bem dessa fase. É a fase típica do ser humano em que, ainda não estamos a chegar à adolescência, mas estamo-nos a preparar para isso. É nesta fase que muita gente começa a ligar ao que está na moda. Começa a dar mais importância ao que os outros pensam deles. E é nesta fase que algumas pessoas encontram os primeiros obstáculos na sua vida. Pois nem todas as pessoas, nesta idade, e nas outras que se seguem, começam a dar importância às mesmas coisas, nem da mesma forma, e isso, infelizmente, causa alguma "marginalização". Custa um bocado ver aquelas pessoas que, há uns anos atrás, estavam sempre a brincar connoscos nos intervalos das aulas, a porem-nos de parte, a excluirem-nos dos seus divertimentos, só porque não gostamos de fazer esta coisa, ou porque gostamos de fazer aquela coisa que, supostamente, está fora de moda. Agora que penso nisso, chego a conclusão que talvez o maior problema nesta fase foi o facto de eu não ceder a essas pressões e continuar a fazer aquilo que gostava, mesmo que não fosse aquilo que os outros gostavam. Mas há que ver o lado positivo desta exclusão. Foi graças a esta exclusão que pude descobrir quem eram as tais pessoas que, afinal de contas, eram mesmo meus amigos, independentemente dos gostos diferentes.
Passando esta parte da infância, chegamos aquela que é considerada uma das fases mais complicadas, normalmente, da evolução duma pessoa: a adolescência. Idade de conflitos, de definição de personalidade, idade em que começamos a construir alguma da nossa indepêndencia. Idade em que começa também a surgir, com relativa força, sentimentos como o amor. Idade em que se desperta o desejo sexual. Mas penso que este campo do amor é algo que merece uma "revisão" à parte. Foi por esta altura que me comecei a integrar mais na vida social. Conhecer novos amigos, as primeiras saídas à noite com o pessoal. No meu caso, não foi uma idade muito difícil, confesso. E, apesar de estar ser uma altura da nossa vida em que a nossa vida social melhora consideravelmente, também teve um desfecho em tudo semelhante ao da infância. Apesar de, nestas idades, se dar uma maior importância às amizades, também nesta idade se conhece muita gente que não quer saber disso, que são muito simpáticos e sociáveis quando estamos juntos, mas que logo se esquecem de nós quando tudo isso acaba. Felizmente, também por esta altura fiquei com alguns amigos valiosos, e que me têm ajudado bastante ao longo do tempo. Uma minoria, mas ainda uns quantos. E a mesma história se repete, na faculdade e no trabalho. Penso que é assim que as relações funcionam ao longo da vida: alguns ficam óptimos amigos, outros logo se esquecem.
Saio um pouco desta deambulação pelas minhas memórias. Está-se muito bem no jardim, sentado no banco, com a sombra das folhas sobre mim e uma brisa fresca a passar. Concluo a lição que retirei de tudo isto que estive a pensar agora. Por vezes, há alguma tendência para nos menosprezarmos porque fomos, de certa forma, excluídos quando éramos mais novos, só porque tinhamos gostos diferentes. Isso é algo que não faz sentido. O que define a personalidade não é o facto de estarmos sempre a fazer aquilo que os outros gostam e que está na moda, mas sim fazermos aquilo que gostamos e estar com as pessoas de quem gostamos e que gostam de nós como nós somos, sem ligar a modas. Aprendi também que a quantidade de amigos e de pessoas que conhecemos não interessa, mas sim a qualidade. Não quero por isto dizer que não devia ter uma vida social activa. Isso é algo bom, e é algo que continuo a ter. Só com uma vida social activa é que conseguimos conhecer pessoas que, eventualmente, se poderão tornar amigos de qualidade. Mas não nos devemos é preocupar em estar sempre a conhecer mais e mais gente nova, como eu fiz, em certa altura.
Sentado no banco do jardim, a ouvir o som do vento a passar por entre as folhas, continuo esta nova etapa da minha vida.
1 comentários:
gostei muito deste texto e das definições que são dadas das fases da adolescencia. fico à espera do proximo capiyulo;)
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