"Em busca do caminho da felicidade" é uma pequena história, fictícia e ao mesmo tempo real, pois reflecte muitas das coisas pelas quais muitos de nós passaram ou passam. Esta história, da minha autoria, consiste na busca da felicidade por um jovem que se encontra, de momento, numa fase mais complicada da sua vida. Espero que com esta história algumas pessoas vejam alguns dos seus problemas reflectidos, e que os ajude a pensar e, quem sabe, a encontrar soluções para os mesmos. Espero que gostem! Enquanto continuo a minha caminhada, relembro-me novamente daquilo que correu mal. Como já havia pensado, todo este problema de "falta de futuro" originado pela faculdade, fez-me tentar fugir para outras coisas que, de certa forma, me dessem algo em que acreditar. Se a nível académico/profissional não estava bem, porque não tentar assegurar um futuro em termos emocionais? Parecia algo a tentar, apesar de o meu historial não ser dos melhores, não porque nunca tivesse tido pessoas interessadas numa relação mais íntima comigo, porque já tive, mas nunca fui do género de ter uma relação com uma pessoa só para, digamos, aproveitar o facto de ter alguém que gostasse de mim. No fundo, ainda sou um romântico. E gosto de o ser. Mas, como disse, parecia tentador, mas só mais tarde me apercebi da estupidez que cometi. Infelizmente, foi um pouco tarde, mas mais vale tarde do que nunca. Tentar assegurar um futuro numa coisa que nunca dependeu de mim é pura estupidez. Mas fi-lo, e aprendi da maneira mais difícil.
A minha vida amorosa pode-se resumir, na sua grande parte, a duas palavras: não correspondido. Não foi o que aconteceu em todos os casos, felizmente, mas numa boa parte deles, infelizmente. Se a faculdade foi o "combustível" para a fase mais complicada da minha vida, posso dizer que a vida amorosa e os seus desaires foram aquilo que iniciou a combustão.
Apaixonarmo-nos por uma pessoa é, como diz uma música da qual eu gosto muito:
"Falling in love could be the first thing,
Falling in love could be the worst thing."
E é verdade. O apaixonarmo-nos por uma pessoa pode ser o primeiro passo para uma futura relação amorosa. E pode ser a pior coisa que existe no mundo. O amor tem tanto de gratificante como de arrasador. É capaz de nos tornar a pessoa mais feliz do mundo, tal como é capaz de, por vezes, fazer-nos sentir como se a vida, por momentos, já não tivesse grande sentido.
O sucesso que tive deu lugar a boas lembranças, que ficaram guardadas. Mas não foi o sucesso que me causou estes problemas. Foi o insucesso, ou, chamemos-lhe, amor não correspondido, do qual, infelizmente, já tenho alguns exemplares na colecção.
O amor não correspondido é um sentimento de perda como outro qualquer. Há quem diga que fins de relações, namoros e traições são piores e custam mais. Não concordo. São sentimentos diferentes, que levam a reacções diferentes mas que, no fundo, são todos o mesmo sofrimento. O sofrimento por amor.
É incrível a rapidez com que nos apaixonamos, com que pegamos na pessoa amada e a colocamos rapidamente no pedestal mais alto da nossa consideração. Pensamos nessa pessoa a todo o instante, fazemos tudo por ela, dedicamo-nos a ela ao máximo, damos o nosso melhor para conquistá-la, para lhe agradar, para fazer ver o quanto gostamos dessa pessoa e o que ela significa para nós. Estar apaixonado é um encher repentino daquele vazio que se encontra no coração, dá-nos vida, dá-nos esperança. Ficamos tão felizes que julgamos que não há nada que não possamos enfrentar, nada que não possamos derrotar, até que... "Eu gosto de ti, mas como amigo..." ou "Não quero nenhuma relação contigo, desculpa."... Pois é, parece que, afinal, há coisas que podem derrotar aquilo que sentimos. E o facto de a pessoa não corresponder aquilo que sentimos é uma delas. E depois disto, começa o processo difícil de esquecimento. Incrível como é rápido apaixonarmo-nos, e tão lento esquecermo-nos do que sentimos por aquela pessoa. Quando nos apaixonamos, está um escadote no pedestal, para subirmos até lá acima e pormos essa pessoa lá. Mas quando temos que esquecer a pessoa, vamos até ao pedestal, para a tirarmos de lá, e reparamos que o escadote... Desapareceu. E temos de procurar um.
O que é que uma pessoa sente quando sabe que o seu amor não é correspondido? Boa pergunta. O que é que sentes se a pessoa de quem gostas não está interessada em algo mais? O que é que sentes se essa pessoa não está interessada em retribuir todo o carinho, amor, atenção e dedicação que lhe deste? O que é que sentes se tivere um coração cheio de amor para dar, e essa pessoa simplesmente não o quer receber? Revolta? Tristeza?
Eu sinto frio. Sim, frio. Sinto frio no meu coração. Sinto que o Verão acabou de repente, e que o Inverno se apoderou de mim. Que tenho eu de errado? Que fiz eu de mal? Porque é que tenho tanto para dar, de livre vontade, e essa pessoa não o quer receber? Parece que uma parte de nós morre. E aquilo que antes estava cheio de vida, de amor, de paixão por uma pessoa, esvazia-se completamente. E o que é que lá fica dentro? Tristeza. Revolta.
Uma agravante deste tipo de sofrimento é quando a pessoa que não nos corresponde arranja uma outra pessoa para uma relação a dois. A tristeza e a revolta são maiores, não pelo facto dessa pessoa ter alguém, mas porque nos pomos a pensar "Porquê ele e não eu?". "O que é que ele tem que eu não tenho?". "O que faz dele tão especial para merecer o amor dela e eu não tenho?". O grave é quando começamos a ter pensamentos de inferioridade, quando começamos a achar que a outra pessoa é melhor que nós, que nós simplesmente não somos merecedores... Errado. As pessoas não são mais ou menos que as outras, e eu sei disso. Somos diferentes, por mais pequeninas que as diferenças possam ser por vezes. Mas sim, são pensamentos que nos surgem nestas alturas e nestas ocasiões.
Este tipo de coisas nem sempre são "más". Muitas vezes, quando já somos amigos da pessoa em questão, estas situações servem para fortalecer por vezes a amizade, após algum tempo de recuperação, claro. Mas isto também tem um pouco de contraditório. O amor não correspondido do tipo "gosto de ti, mas como amigo" é o mais revoltante de todos. Não o mais triste, mas aquele que, por vezes, mais revolta. Porquê? Simples. A base essencial para qualquer relação a dois, é a amizade. Se não há uma relação de amizade intíma entre duas pessoas, essa relação está, desde logo condenada. Então e, se já somos amigos, e amigos muito próximos, porque é que não quer nada comigo? O que foi que fiz mal? O que é que tenho de mal? A nossa relação já tem as bases, porque é que ela não quer avançar para um nível superior? A verdade é que sim, a amizade é uma base importante, mas por si só não chega para criar uma relação amorosa a dois. Quando duas pessoas já têm uma relação de amizade próxima e duradoura, é mais difícil mudarem o que sentem, por vezes. É fácil criar amizade através do amor. Mas difícil criar amor pela amizade, porque, para a pessoa que não nos corresponde, nós já estamos arrumados no cantinho dos amigos, e sair de lá é algo muito difícil. Depois vem, nestes casos a situação ambígua de manter a amizade. É óptimo, depois de um abalo destes, poder manter-se uma amizade, pois há muita gente que termina toda e qualquer relação depois de uma situação destas. Mas também é muito mau, pois atrasa aquilo a que eu chamo o processo de recuperação. Não o torna impossível, não de todo, mas dificulta-o. Faz com que a tristeza e a revolta durem mais. É podermos estar com essa pessoa, sentirmo-nos na mesma bem quando estamos com ela e chegarmos a casa e pensarmos o porquê. Porque é que não dá nada? É uma espécie de tortura, diria. Estarmos com aquela pessoa e, a cada palavra, a cada contacto com ela surgir-nos na cabeça "sabe tão bem... mas não vou ter mais nada com ela". E, em alguns casos, vêr essa pessoa nos braços de outra. Parece que nos estão a pegar no coração, já por si dorido de toda esta tortura, e o espezinhassem mais um bocadinho. Pode custar mais esquecer alguém e manter uma amizade, mas é possível, e acontece muitas vezes, mas é assim que, por vezes, se ganham verdadeiros amigos. Já aconteceu comigo algumas vezes e fiquei com grandes amigas no processo. Já dizia o ditado: "Mais vale um pássaro na mão do que dois a voar."
O que eu aprendi com isto? Que não posso tentar resolver a minha vida com algo que não depende só de mim. Aprendi que o amor é algo muito bom, mas que gosta muito de nos pregar partidas. Mas essas partidas só servem para nos tornar mais fortes. Por mais magoados que sejamos, por mais não correspondidos que sejamos, temos que acreditar no amor. Esta pessoa não quis o nosso amor? É triste, sim. Doi muito, é verdade. Mas não se pode desistir do amor. Há alguém, por aí, que quer o nosso amor, o nosso carinho, a nossa atenção, aquilo que outros não quiseram. E nesse dia, lembramo-nos do sofrimento que passámos e rimo-nos dele.
Faz-se tarde. Dou meia volta e inicio o caminho de regresso a casa. E assim continua esta nova etapa da minha vida.